A África é logo ali

Quando me perguntam qual será meu próximo destino, eu costumo responder: ‘Pra onde a Ryanair me levar!’. E graças às inacreditáveis promoções, eu fui para Marrakech, Marrocos!

Não costumo sentar na poltrona ao lado da janela.. mas dessa vez, fiz questão! Ao observar através da minha pequena janela de 0,6m², posso dizer que vi o mundo. Vi o azul do mar, o verde das plantações e de repente, me dei conta que já sobrevoava a África. A paisagem era árida, tons de marrons e ocre. Senti sede só de ver. Vi casinhas espalhadas de forma quase aleatórias.. pareciam em ruínas. Mas não. Eram apenas casas pobres – não favelas – pobres mesmo.. Pude até imaginar como era o mobiliário: um fogão improvisado, talvez uma mesa, umas esteiras que serviam de cama… Imaginei crianças brincando no quintal – se é que posso chamar de quintal. Vi muitos morros, espigões, areia.. muita areia.

O avião pousou, e quando sai, senti o calor. Estamos quase no inverno, e beirava os 27C. O aeroporto faz jus à cultura marroquina, e posso dizer que é um dos aeroportos mais bonitos que já vi.

Para chegar ao centro da cidade, pegamos um ônibus que é tipo um circular. É super barato: 30Dh (= 3 euros) ida e volta. Paramos na praça Jemaa El Fna. De cara, quase fomos atropeladas! Haha! O transito é uma loucura! Pessoas, carros, motos, motocicletas, bicicletas, onibus, cavalos, burros.. tudo junto tentando encontrar um lugar no espaço. Sério. É loucura!

Marrakech é a cidade dos cheiros. Tudo quanto é tipo de cheiro vc vai sentir! Não pude distinguir tudo – até porque eu tenho um péssimo olfato! Mas a cidade é um mix de cheiro de animais com monóxido de carbono das motos, com cheiro de laranja, curry, menta e ervas, xixi de gente, coco de tudo quanto é tipo ser vivo.. Marrakech também é barulhenta: se vc achava que ouvia mtas buzinas de moto em sp, aqui vc vai ouvir muito mais. Além das buzinas, vc vai ouvir uma espécie de canto / oração islâmica ao longo do dia, numas horas especificas. Já alerto, eles oram às 5h30 da manhã; e a oração é ouvida em toda a cidade.

Aproveite para treinar o dom de pechinchar em Marrakech. O esquema é simples. Eles te dão um preço, mas vc fala que vai pagar 1/3 desse preço. Negociar é legal, e dá pra economizar bem com lembrancinhas e outros apetrechos. Os vendedores falam todas as linguas possiveis e sabem ate distinguir um sotaque portugues de um brasileiro! Impressionante!

Uma prática comum local é o de cobrarem por te indicarem o endereço dos lugares / do hostel. No centro, as ruas são muito mal sinalizadas e muitas delas quase pedonais (eu disse quase porque nela passam motos).

Por falta de tempo, não fomos ao Sahara. Isso nos custaria 3 dias e 2 noites, e infelizmente, não tínhamos esse tempo todo.. 😦 Mesmo não indo ao deserto, pude contemplar o céu estrelado e chuva de meteoros. In-des-cri-tí-vel.

As entradas para os pontos turísticos são absurdamente baratas. Custam 10Dh (= 1 euro). Dá para se virar bem apenas a pé. O suco de laranja também é absurdamente barato: 4 Dh (=0,40 euros)!! O suco é doooooce! ;D Comer também é barato. Fizemos ótimas refeições nos terraços dos belos restaurantes em volta da Praça Jemaa el Fna por 30 Dh a 50 Dh!

A praça Jemaa el Fna é o considerada o coração da cidade. Há barraquinhas de tudo quanto é comida. Refeições marroquinas por 25Dh com chá de menta de graça. Há barraquinhas de frutas secas e de suco de laranja. Apresentações na praça são frequentes. Eu não sei o porquê, mas existiam rodas de apresentações somente com expectadores homens. Essas eram tao lotadas, que mal se via o centro da roda. Por esse motivo, não descobri sobre o que se tratava a apresentação… Tem também mulheres que tatuam henna, homens fantasiados, homens com macacos, cobras, crianças pedindo dinheiro, pessoas tocando um instrumento que mais parece um vaso.. e complementar essa confusão toda, todos os marroquinos disputam os olhares dos turistas. Eles te chamam, gritam, dão tchau, dão oi em todas as linguas possiveis, sorriem. É uma loucura divertida.

Marrakech me encantou de uma forma singular. Seu povo alegre, sua comida, seu cheiros, sons e ordem na desordem, fizeram valer a pena toda a minha aventura.

*ATUALIZAÇÃO: Descobri posteriormente que essas rodas de pessoas que mencionei acima, são pessoas – normalmente homens – que se reunem num determinado dia e hora, para ouvir uma espécie de novela contada por uma uma mesma pessoa específica em forma de capítulos. Segundo locais, as histórias são tão boas que conseguem prender a atenção dos expectadores, que retornam todos os dias (leia-se, todos os dias que tem apresentação) para continuar a ouvir o desenrolar das sagas. Fonte: um guia turístico local.

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Uma resposta para “A África é logo ali

  1. haha nao sou uma critica, mas posso lhe dizer que esse foi um dos teus melhores posts…

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